Via Sant'Agostino
Alessandra é veterinária e vive em Palermo com alguns animais, entre eles uma cadela American Wolfdog, praticamente uma loba verdadeira. É um animal extremamente desconfiado de humanos do sexo masculino, mas tentámos fazer esta sessão fotográfica todos juntos num vasto e muito decadente palácio aristocrático no centro da cidade, na Via Sant’Agostino, onde havia espaço e, sobretudo, ninguém por perto. A loba nunca se aproximou de mim, mas deixou-se fotografar. Segundo a Alessandra, se eu fosse homem, nem sequer teríamos conseguido estar ali dentro.
Descrição do projeto fotográfico:
A teoria da evolução de Darwin, combinada com os resultados da neurociência e da genética, defende que somos, de facto, replicantes produzidos através de um mecanismo elementar de tentativa e erro. Talvez por isso tenhamos medo do objeto biológico desconhecido, sem perceber que nós próprios somos esse objeto. Humanos e replicantes fundem-se, o entrelaçamento visual e narrativo das imagens não estabelece fronteiras mútuas, mostrando-nos humanos a perder gradualmente a humanidade e replicantes a ganhá-la. Não será esta troca contínua uma prova da incapacidade humana de admitir que, na verdade, somos a mesma coisa?
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